Cordel
Menina
Joana era uma menina!
Sofrida como ninguém!
Vivia com os pés descalços,
Parecia moleque macho.
Desde pequenininha,
Foi criada com rigor.
Sua mãe também sofrida,
Só vivia no labor.
Logo de manhãzinha.
Pra o riacho ela ia
Botava tirava covo
Dali saia o sustento,
Era grande o seu lamento
A mãe era lavadeira
Tinha que trabalhar
Saia bem cedo de casa,
Pra o dia inteiro labutar.
Cansada dessa vida
Resolveu se arrumar,
Foi morar com um vaqueiro
Que vivia a lhe cercar.
Joana nada gostou
Mais tinha que agüentar
Se era, seu destino,
O que podia falar.
O vaqueiro Zé pimenta
Caiu logo na bebedeira
Já quase não trabalhava
Vivia a fazer besteira.
Zefa se apaixonou
Pois nada daquilo via
Ele só vivia bêbado
Joana era quem sofria.
Um dia ele acordou
Por volta do meu dia
Levantou tirando onda com a pobre da Joaninha.
Bote logo meu de-comer
Moleque macho da peste
Isso é falta de homem
Ainda vou lhe pegar.
Ela disse deixe disso
Respeite-me, por favor,
Você é marido da minha mãe
E tem que me dar valor.
Menina abusada!
Que marido que nada!
Venha logo pra meus braços,
Que quero te dar um amasso.
Zefa ia chegando
E ouviu a confusão
Escondeu-se atrás da casa
Com um porrete na mão.
Joana disse: respeite-me!
Se não conto pra mamãe.
Sua mãe já está velha
Não me serve muito não.
As pernas são cheia de veias
Parece um furacão.
É um maracujá de gaveta
Barriga de botijão
Os peitos já estão moles
Parece com uma peneira
Que só se ver buraqueira.
Safado! Não fale assim
Da mulher que te sustenta,
Se você falar de novo; vou lascar a sua “venta”.
Retire o que você disse!
Se não vai se arrepender!
Lasco sua cabeça no meio,
E faço cuia pra vender.
Você é uma boboca,
Ela não gosta de ti.
Ela mim ama menina!
Não vai acreditar em você
Bote logo meu de-comer.
Cansada de escutar
Aqueles insultos maldosos
Zefa entra de supresa
Pra susto de Zé pimenta
Com um porrete na mão
Que ela lhe envia nas ventas
Deixando a casa sangrenta
Ele disse: deixa disso, estava apenas a brincar.
Sua filha exagerada, já queria me matar.
Joana disse:
Mentiroso de uma figa
Mãe! Ele estava a me molestar
Bote esse cabra pra fora
Pois senão!
Dele eu arranco-lhe as tripas a fora.
Zefa já azuretada
Gritou para o seu marido
_Escutou o que ela disse!
Puxe daqui pra fora.
Minha raiva é tão grande
Que nem sei o que dizer
Você é um bandido!
Eu podia tirar seu coro
Pelo buraco do umbigo.
Querer pegar minha filha
Capar-te era um bom castigo
Sabia? Seu Zé Ruela.
O homem saiu correndo
Sem nem olhar para trás
Pois a Zefa!
Não tava pra brincadeira
E ele sabia que tinha feito besteira.
As duas ficaram sós
A labutar nessa vida.
Pois como diz o ditado,
Melhor viver só,
Do que mal acompanhado.
Cordelista: Alda Cristina
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