sábado, 9 de agosto de 2014

Lágrimas por um pão!

Era noite de natal
Joana e Sandoval
Foram fazer as entregas
Na casa da burguesia.

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Cada qual com uma troixa
Foram à casa da madame
Sua mãe muito cansada
Ficou em casa com fome.

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Ao chegarem à mansão
 Latia o cachorrão,
A senhora disse entrem
Que ele não pega não.

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Na cozinha só se via
Comida de regalia
Joana com muita fome
Ficou ali a respirar
Queria encher a barriga
Com o cheiro a exalar.
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Ficou ali um tempinho
Esperando o dinheiro
Era grande o desespero
Das tripinhas da barriga
Que fazia um festeiro.

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Depois de algum tempo
A senhora indagou:
Vocês ainda estão aqui,
Ah já sei, o dinheiro?
Digam a sua mãe!
Que depois passo por lá.
É que agora, estou sem tempo.
Muita coisa pra aprontar.
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Os dois saíram dali
Triste que só peru
Em casa não tinham nada,
Nem carne de urubu.
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Sandoval disse Joana
O que nós vamos fazer?
Mamãe está com fome,
E mandou nós recebermos.
Vamos confiar em Deus,
Pior não pode ficar.
Se for pra morrer de fome,
Nós temos que aceitar.

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Ao chegarem ao barraco
A mãe estava a esperar
Estava de bucho cheio
Não demorava a ganhar.

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Foi dizendo: Compraram o que?
Passaram no armazém?
Não fiquem tristes meninos
Pela ceia que nós temos.
Pão com salame é bom
Já estou até me lambendo.

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Joana disse maminha
Não compramos nada não
A mulher não nos pagou
Disse que depois,
Passa aqui!
Pois tava sem tempo hoje,
O que a gente ia dizer?
Saímos caladinhos
Sem saber o que fazer.
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Tudo bem meus filhos
Vamos rezar e dormir
Assim a fome passa
Amanhã ela vem aqui.





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Agradeceram a Deus
Por tudo que eles tinham
Deitaram em suas camas
Sem ódio, e sem agonia.
Pois sabia que um dia!
Deus lhes daria valia.
Embora as lágrimas rolassem
Por um pão que agonia.

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Não demorou muito
Quando um carro buzinou
A mãe levantou correndo
Pra ver o que sucedia.
Era a senhora das roupas
Que entrava com alegria.

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Disse não acreditas!
Por que eu aqui estou?
Deus tocou em meu coração!
Para eu trazer-lhes pão,
Presentes! Aceitem é de coração.


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As lágrimas daquela mãe
Caia sem mais parar,
Era milagre de Deus
O qual, não estava a esperar.



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O que a senhora trouxe!
Dava pra um mês e muito mais,
Tudo isso foi à fé!
Daquela mãe Nazaré
Que não reclamou jamais,
De um Deus que tudo faz.



Autora: Alda Cristina




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